Por que Escrita Contexto?

“Revisar é muito mais do que decorar um conjunto de normas. É saber quando usá-las e quando transgredi-las.”

Muitos acreditam que o trabalho de um revisor se limita a corrigir erros ortográficos e gramaticais. Para isso, dominar bem a ortografia e a gramática da norma culta da língua portuguesa bastaria. Entretanto, um bom trabalho de revisão deve considerar mais do que isso.

Primeiramente, um bom revisor é, antes de tudo, um bom redator. Para estar apto fazer alterações — que podem modificar o sentido da mensagem ou até alterar a ordem dos fatos — no texto de outra pessoa, é importante ter intimidade com o processo de escrita.

Algumas pessoas acreditam que ler bastante é suficiente para substituir a habilidade de escrever. Mas eu particularmente não acredito muito nisso, porque pessoas que amam ler e que escrevem estão em lados diferentes da narrativa, literalmente.

Apesar de que leitura diária é importante para uma boa escrita, nem sempre um fiel leitor é, também, um ilustre escritor. Mesmo que ambas atividades sejam complementares, elas exigem processos e experiências diferentes.

E por acreditar na importância da escrita e por amar tanto essa atividade que o primeiro nome da empresa levou nesse nome.

O segundo nome, homófono — mesma pronúncia, grafia e significado diferentes — da expressão “com texto”, é, propositalmente, uma ambiguidade. Através dela, ressalto a relação de dependência entre texto/escrita. Sem o código de palavras e símbolos organizados por uma norma interna, a escrita não existe.

Se não for registrado, o texto se perde no eco da inexistência. Além disso, toda a produção textual está inserida em um contexto: um espaço real, além dessa relação.

E aí que compreendemos o porquê de uma revisão restrita à gramática nem sempre ser adequada: imagine se, por azar, ela é aplicada ao trabalho de Ariano Suassuna ou Machado de Assis? Ou nos poemas concretos de Ronaldo Azeredo ou Décio Pignatari? Certamente, suas obras seriam assassinadas quase que instantaneamente.

Portanto, um bom profissional dessa área deve, mais do que decorar massivas normas, saber como, quando e se usá-las ou não. É essencial que ele se conecte com o texto e tenha sensibilidade de compreendê-lo em sua essência, antes de simplesmente adequá-lo a uma forma predefinida. E é a consciência disso que, como um mantra, me lembra o porquê escolhi tal profissão.

Esse mantra nomeia minha empresa.

Publicado por Ana Itagiba

Sou editora, revisora e mentora literária formada em Letras pela UFG. Também atuo como produtora cultural e de conteúdo para web. Autora das dramaturgias publicadas Patético Oásis e O experimento.

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